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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

João Havelange está ajudando o futsal a virar esporte olímpico'


Presidente da Confederação Brasileira de Futsal diz contar com o apoio do presidente de honra da Fifa para realizar antigo sonho dos adeptos do esporte

Por Flávio Dilascio Rio de Janeiro
Aécio de Borba Vasconcelos, presidente da CBFS (Foto: Divulgação/CBFS)Aécio de Borba Vasconcelos quer Liga Futsal com
18 clubes em cada divisão (Foto: Divulgação/CBFS)
Presidente da Confederação Brasileira de Futsal, Aécio de Borba Vasconcelos revela que, em breve, a Liga Futsal pode passar a ter mais de uma divisão, por conta da alta procura de clubes. Ex-técnico da seleção brasileira da modalidade, o dirigente de 80 anos diz contar com o apoio de João Havelange, presidente de honra da Fifa, para transformar o futsal em modalidade olímpica, sonho antigo dos adeptos deste esporte. Otimista, diz que o Brasil está no caminho certo para conquistar o seu sétimo título mundial, no próximo ano, na Tailândia, embora ressalte que o futsal não é uma "ciência exata."
SPORTV.COM: Que balanço geral o senhor faz do atual momento do futsal brasileiro?
AÉCIO DE BORBA VASCONCELOS: O futsal brasileiro, ano a ano, vem tendo maior visibilidade mundo a fora, tanto é que o interesse da imprensa no futsal tem aumentado vertiginosamente nos últimos anos. Também tem a questão da qualidade, onde temos nos mantido com uma das principais potências do mundo. Nosso momento é tão bom, que muitos atletas de nível, que estavam jogando fora, voltaram para cá, no último mês.
Por que o senhor acha que agora muitos atletas de ponta estão preferindo jogar no Brasil do que na Europa? Por que isso não acontecia há cinco anos atrás?
Porque, naquela época, os clubes brasileiros não tinham condições de manter seus melhores jogadores aqui. Os patrocínios eram bem menores e não havia tantas grandes empresas envolvidas com o futsal. Hoje, ainda há atletas saindo do país, mas bem menos do que nos últimos anos. A maioria dos jogadores que saem são aqueles que despontam na base, mas têm poucas oportunidades no profissional. A saída do país é uma forma de tentar se firmar em um cenário novo.
Aécio de Borba Vasconcelos, presidente da CBFS (Foto: Divulgação/CBFS)Presidente crê que sucesso do Santos motivará outros clubes a investirem em futsal (Foto: Divulgação/CBFS)
O senhor acha que ter clubes de massa do futebol, como Santos, Corinthians e São Paulo, é uma necessidade para se ter competições de futsal mais atrativas?
Com certeza, é muito importante termos clubes de camisa envolvidos no futsal. Há muito tempo que vínhamos buscando isso e, agora, acertamos na fórmula, pois os clubes estão se associando a empresas interessadas única e exclusivamente na montagem do departamento de futsal. O Santos é um ótimo exemplo disso.
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Falando em Santos, o senhor acredita que o sucesso do time santista - equipe de melhor campanha na Liga Futsal 2011 - motivará outros grandes clubes a investirem em futsal?
Sim. O sucesso do Santos, certamente, motivará outros clubes a olharem para o futsal. O próprio Corinthians se reforçou para a segunda fase da Liga, muito que provavelmente, motivado pela boa campanha do rival Santos.
Uma das queixas quanto ao futsal brasileiro é quanto à falta de estrutura de algumas quadras e ginásios. No jogo entre Florianópoilis e Joinville, uma goteira na quadra do Floripa atrasou o início da partida em 15 minutos. Por que isso ainda acontece?
O grande problema dos nossos ginásios é que a maioria deles são antigos. Como o futsal brasileiro começou há mais de três décadas, muitas das nossas quadras não estão no padrão Fifa e muitos ginásios estão gastos. Na Europa, como o futsal começou a menos tempo, todas os ginásios são novos e todas as quadras estão no padrão Fifa. Com o crescimento das nossas competições, vamos buscar corrigir esse problema.
Aécio de Borba Vasconcelos, presidente da CBFS (Foto: Divulgação/CBFS)Aécio aposta na renovação de talentos após o fim da
geração Falcão (Foto: Divulgação/CBFS)
Outra crítica tem sido quanto ao número excessivo de clubes (23) na Liga Futsal. O que tem a dizer sobre isso?
A Liga é uma competição que tem um destaque especial e é incomparável aos demais torneios brasileiros. Por isso, a procura de clubes interessados em participar dela é sempre muito grande. Como não temos equipes suficientes para fazermos uma segunda e uma terceira divisão, temos que concentrar todos os times em um único campeonato. Nossa ideia é termos três divisões da Liga Futsal, em breve.
E para quando seria isso? Quantos clubes teriam exatamente em cada divisão?
Não traçamos nenhum prazo para isso. Pode ser no ano que vem, no outro ou só daqui a três anos. Tudo vai depender da quantidade de clubes e da disponibilidade dos mesmos em participarem da Liga Futsal. A ideia é termos 18 times em cada divisão, podendo ter uma pequena variação deste número, para mais ou para menos.
Sobre a seleção brasileira, o senhor acha que o Brasil é favorito para a Copa do Mundo de 2012?
Não posso dizer que vamos ganhar porque o futsal não é uma ciência exata, mas posso dizer que estamos fazendo uma preparação para sermos campeões novamente. Hoje temos uma grande comissão técnica, preparadores físicos, médicos e uma das melhores estruturas em termos de centro de treinamento. Soma-se a isso o talento dos nossos jogadores. Vamos brigar pelo título.
O argumento que sempre nos foi passado é que o futsal não virou esporte olímpico por ser pouco praticado por mulheres. Acontece que isso mudou"
Aécio de Borba Vasconcelos
O senhor acredita que, após o fim da geração Falcão, o futsal brasileiro conseguirá se manter no topo?
Quem acompanha futsal vê que há novos craques surgindo, todos com condições técnicas privilegiadas. Posso dizer que já temos o ínicio dessa renovação e, certamente, vamos continuar tendo uma seleção forte.
Por que o Brasil tem esse talento para revelar tantos bons jogadores?
Investimos muito na base, o que ajuda a formação técnica dos atletas. Para uma federação ser reconhecida, ela tem de ter competições sub-15 e sub-13, o que só reforça a nossa preocupação em formar novos valores. Isso sem contar que temos muitas quadras espalhadas pelo país. Jogar futsal faz parte da rotina de muitas crianças, o que favorece o surgimento de novos talentos.
O que falta para o futsal virar modalidade olímpica?
Essa é uma luta nossa de mais de 20 anos. O argumento que sempre foi passado para a gente é que o futsal quase não é praticado por mulheres. Acontece que isso mudou. Hoje, temos vários torneios femininos, inclusive uma Liga Futsal de mulheres, que está em andamento. Acho que agora estamos no caminho certo e temos esperança de sermos incluídos na Olimpíada de 2016, no Rio.
A Fifa declarou, recentemente, ser a favor da inclusão do futebol de praia na Rio-2016. O senhor acha que isso pode prejudicar o reconhecimento do futsal como modalidade olímpica, já que ambos os esportes estão ligados à mesma confederação?
O que houve, na verdade, foi que o Blatter (Joseph Blatter, presidente da Fifa) e o Ricardo Teixeira levantaram a bola de incluir o futebol de praia na Olimpíada de 2016, já que o Rio é uma cidade de belas praias. Não acho que isso atrapalhará nossa indicação para ser uma das modalidades dos jogos. Podemos ter, perfeitamente, futsal e futebol de praia na mesma Olimpíada. Vamos continuar lutando por isso. Temos um grande interlocutor, o João Havelange (presidente de honra da Fifa), que está nos ajudando na indicação. O futsal merece esta oportunidade.

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